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Cínthia Leone é editora
do Portal Unesp
O pensamento brasileiro em defesa
Publicado em 10/08/2012 às 17:54

De 6 a 9 de agosto, o BlogACI da Unesp se dedicou a cobertura do Encontro da Associação Brasileira de Estudos de Defesa. O evento foi organizado pelo professor da Unesp Samuel Alves Soares, atual presidente da ABED e pesquisador do tema.

Os debates envolveram estudiosos de todo o país e de outras nações sul-americanas e trataram de diferentes temas da área de defesa. O esforço deste blog foi reproduzir uma amostra dessas discussões.

A edição de setembro do Jornal Unesp trará, ainda, uma reportagem especial sobre o setor de Defesa no Brasil. E o ponto de partida serão as discussões realizadas esta semana no Encontro.

Obrigada pela leitura!

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Publicado em 10/08/2012 às 17:39

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Publicado em 10/08/2012 às 17:37

O fim do começo
Publicado em 10/08/2012 às 17:00

De boas intenções a América do Sul está cheia. E por enquanto, não passa muito disso na esfera de Defesa. Essa é a visão de Adrián Bonilla (foto), pesquisador da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. Ele fez a última conferência do evento, na noite do dia 09/08, e trouxe um tom mais pessimista aos debates em comparação com a tônica geral do Encontro.

“Não se fala em ‘posição sul-americana’, como se fala em ‘posição europeia’. Quando há alguma questão importante no mundo, não há uma voz uníssona da região”, diz Bonilla.
Para ele, mais do que observar as semelhanças é preciso ter em conta as grandes diferenças entre os países.

Bonilla é equatoriano, estudou nos Estados Unidos e lecionou em diferentes instituições, incluindo a PUC-RJ, no Brasil. Ele explica que “a economia venezuelana, que, por exemplo, é baseada em comódites do setor energético, é muito diferente da economia colombiana, fincada na sua indústria.” Ele continua, dizendo que “isso significa que os países da região terão agendas muito distintas, interesses muito diferentes nas negociações internacionais.”

Além dos contrastes econômicos, o professor destacou a heterogeneidade política da região. “A democracia no Chile é muito distinta da boliviana ou venezuelana. Não é porque há eleições que é o mesmo sistema. A divisão dos poderes e a configuração do congresso têm outros desenhos, assim como as ideologias predominantes”, diz.

Para ele, essa heterogeneidade no conjunto dificulta a possibilidade de tomadas de decisões conjuntas. Também segundo Bonilla, isso explicaria a cautela para a criação da Unasul, por exemplo. “Principalmente porque o nacionalismo ainda está muito vivo nesses países. Ninguém está disposto a ceder soberania em nenhum grau, o que inviabiliza medidas nos campos de segurança e defesa”.

Ao concluir, ele destacou as vantagens da região: territórios contíguos e, em parte, história e cultura compartilhadas. Mas para ele, ideias como o Conselho de Segurança Sul-Americano, embora bem elaboradas, ainda trilharão um longo caminho até a efetividade.

Neobolivarianismo
Publicado em 10/08/2012 às 16:47

Dentro do Encontro da ABED foi realizado o primeiro Encontro Sul-Americano de Defesa. E nesta primeira edição, a Venezuela foi destaque dos debates. A professora Evelyn Moreno, da Universidade Simon Bolívar, da Venezuela, apresentou um estudo que analisa a proposta venezuelana de integração regional e também o discurso que norteia a política externa daquele país: o chamado neobolivarianismo.

Segundo a pesquisadora, essa visão de mundo se contrapõe ao neoliberalismo e busca promover uma integração regional não subordina aos interesses dos EUA. O discurso neobolivariano também tenta impor um imaginário centrado na violência contra o que é chamado de ‘império’. No âmbito da Unasul, a proposta só encontra eco na Bolívia e no Equador. A indagação dos analistas agora é se, com a entrada do país caribenho no Mercosul, esse discurso será mantido e propagado em um novo ambiente de negociações.

Embora o neobolivarianismo se paute por ideais românticas sobre a sociedade latino-americana, a economia mundial e os próprios “heróis fundadores” da doutrina (notadamente, Simon Bolívar), a Venezuela de Hugo Chaves vive um mau momento econômico. E neste sentido, o encolhimento da classe média parece ser uma das principais preocupações dos analistas presentes ao encontro.

Outro tema amplamente debatido são as migrações de membros das Farc para solo equatoriano. Eles estariam fugindo das ações do Plano Colômbia, promovido pelos Eua para combater o que eles classificam como ‘narcoterroristas’. Laura Gonzáles, do Programa de Pós-Graduação “San Tiago Dantas”, oferecido por Unesp, Unicamp e PUC-SP, estuda a questão. Ela busca entender se esse quadro configura um risco à soberania nacional do Equador.

O evento terminou com a percepção de que há um sentimento de integração muito vivo nos países sul-americanos, mas poucas ações efetivas nesse sentido no campo da defesa. E esse também foi o viés da fala de encerramento do evento, proferida por Adrián Bonilla, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. Sua apresentação, que foi considerada até pessimista, é tema do post seguinte.

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Publicado em 10/08/2012 às 16:43

Ética militar
Publicado em 10/08/2012 às 16:00

Ponha-se no lugar de um soldado que, durante a batalha, tem que enfrentar crianças armadas. Matar ou não matar? ‘Cumprir ordens’ é argumento para fazer qualquer coisa?

Esses foram alguns dos exemplos que David Whetham, do King´s College London, do Reino Unido, mencionou para abordar a importância de discutir ética no contexto militar. Sua apresentação foi traduzida informalmente e diante dos espectadores por José Carlos Teixeira Jr. do Departamento-Geral do Pessoal do Exército Brasileiro em Brasília (DF).

A palestra foi realizada em nome da Sociedade Internacional de Ética Militar (ISME), uma entidade que reúne membros das forças armadas e pesquisadores. Atualmente, ela tem dois ‘capítulos’, que é como eles chamam os núcleos de atuação – um dos EUA e outro da União Européia.

“Queremos propor a criação do capítulo sul-americano”, disse Whetham. A medida possibilitaria a discussão de normas éticas e comportamentais para orientação da conduta militar e a melhoria da qualidade do ensino da ética profissional nas escolas de formação de oficiais. Além disso, o organismo poderia estabelecer procedimentos para apoio emocional e psicológico de militares em diferentes situações.

“Casos de desrespeito aos direitos humanos praticados na base americana em Guantánamo mostram como um desvio ético de um grupo de militares individualmente pode causar embaraços internacionais de grande repercussão”, lembrou o palestrante. No encerramento, a plateia composta por militares e pesquisadores civis iniciaram a discussão de como poderiam se dar as primeiras iniciativas para trazer a ISME para a região. E, pelo interesse dos presentes, parece que será bem-vinda.

Discursos
Publicado em 09/08/2012 às 22:00

As apresentações dos ministros Celso Amorim, da Defesa, e Wellingtom Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, realizadas durante o Encontro da ABED estão disponíveis no Debate Acadêmico da Unesp, um espaço reservado para artigos de intelectuais especialistas em diferentes temas. Confira em
www.unesp.br//noticias.php?secao=169&direto=S .

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Publicado em 09/08/2012 às 20:50

crédito: Exército Brasileiro

Tudo como dantes no quartel de Abrantes
Publicado em 09/08/2012 às 20:44

Hoje pela manhã o professor Paulo Ribeiro da Cunha, da Unesp de Marília, coordenou uma mesa-redonda sobre as relações civis dos militares no Brasil. E um dos temas centrais foi a educação desses oficiais.

Intitulado “A democracia como pressuposto das relações civis e militares: possibilidades e limites”, o debate teve apresentações do próprio professor Paulo, de Luiz Cláudio Duarte da UFF e de Sued Lima, da Universidade Estadual do Ceará.

Lima observou que o currículo das escolas militares no Brasil ainda é o mesmo da época da ditadura militar. Em comparação, ele dá como exemplo a Argentina que, por conta da abertura democrática em 1983, reformulou completamente a estrutura dos cursos para oficiais. “Isso pode indicar porque, ainda hoje, muitas instâncias militares mantêm um caráter fortemente conservador na sua visão política”, afirma.

Duarte lembrou das recentes declarações por parte de militares que levaram a protestos da população (principalmente de gente muito jovem!), inclusive em frente às casas de ex-torturadores e colaboradores do regime. Para ele, isso significa que há um descompasso muito grande entre essas mentes conservadoras e aquilo que pensa a população. “Alguns militares sequer admitem que houve ditadura”, diz.

Para Lima, é necessária uma reformulação no projeto pedagógico dos cursos para oficiais. “O ex-ministro [Nelson] Jobim quis fazer isso, mas enfrentou forte resistência interna do exército”, disse.

Militares de esquerda

Cunha, que se dedica a estudar a esquerda no interior do exército, falou sobre as agendas políticas dos militares de esquerda até o final do século XX. Segundo ele, foram quatro momentos distintos: a busca por democracia até 1945; de 1945 até 1964 o fortalecimento da soberania nacional com a campanha “o petróleo é nosso”; a partir de 1964 a luta pela reabertura democrática contra os demais militares que impuseram a ditadura militar no país e também a defesa da anistia; e por fim, a partir de 1982, a busca pela democratização das forças armadas.

Embora ressalte a importância histórica dos militares de esquerda, Cunha lembra que eles são uma minoria nas forças armadas. Ele divulgou uma pesquisa quantitativa em que oficiais da marinha responderam a questionários sobre seu posicionamento político. O resultado, disse o professor, mostrou que nesse setor, proporcionalmente, há mais pessoas identificadas com os setores de direita e extrema direita do que na elite brasileira, segundo perfil de votação nas diferentes eleições.

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Publicado em 09/08/2012 às 11:00

Terrorismo na América Latina
Publicado em 09/08/2012 às 10:00

Não há uma definição técnica para terrorismo. Sua classificação segue apenas critérios políticos. Esse foi o assunto de um dos simpósios do segundo dia de encontro. Pesquisadores dedicados a essa questão enfatizaram os interesses dos EUA em definir uma série de ações como atos de terrorismo.


A classificação dada pelo governo a um ato de violência muda completamente o tratamento jurídico reservado ao episódio. Como ressaltou no encontro Rui Martins da Mota, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, se o Brasil dissesse, por exemplo, que os ataques do PCC em São Paulo, no ano de 2006, eram terrorismo, haveria conseqüências internacionais imediatas.


Na Segunda Guerra Mundial, a resistência francesa foi classificada pelos nazistas como terrorismo, o que aos olhos da lei alemã, ainda que sob o ponto de vista ético questionável, lhes garantiam uma ação militar ‘legítima’.


Os EUA já chegaram a emitir em documento oficial uma informação que dizia de áreas de ação de terroristas na América do Sul, como a Tríplice Fronteira e regiões do Chile.  Contrariados, governos argentinos, brasileiros, paraguaios e chilenos fizeram com que esse dado fosse retirado, mas ficou claro que os critérios dos americanos para definir atividade terrorista são, no mínimo, arbitrários.  


Mas no contexto latino-americano, a definição de terrorismo mais controversa é a atuação das Farc, na Colômbia. Quase nenhum país da Unasul admite o termo ‘narcoterrorismo’, defendido pelos EUA e o governo colombiano. “Caso um membro das Farc faça algo em solo brasileiro, por exemplo, o Brasil cobrará a Colômbia”, Sergio Aguilar, da Unesp de Marília. “Mas ao admitir que as Farc são um grupo insurgente, a Colômbia passa a não ter responsabilidades sobre o que acontece”, explica.


Em entrevista ao BlogACI, a cientista política Diana Pilar Marino Guerrero, explicou melhor a situação vivida pela Colômbia. Pesquisadora da Universidade Nacional de Colômbia, ela é aluna do curso de especialização em negociações internacionais “San Tiago Dantas”, oferecido em conjunto por Unesp, Unicamp e PUC-SP.


“Não de trata de um acordo bilateral entre Colômbia e EUA, como argumentam alguns, porque nada passou pelo congresso”, explica Diana. Para ela, o Plano Colômbia é algo negativo para as relações políticas do seu país na América do Sul e lembra que a ação já causou atritos com Equador. “Mas é necessário entender que a medida tem uma raiz cultural muito forte, fincada nos anos 1940, quando as elites colombianas passaram a defender governos alinhados aos interesses norte-americanos.”


Camila Alves da Costa, da Universidade Federal Fluminense, diz que, caso os EUA queiram colocar bases militares na América Latina, a região teria pouco poder de reação. Ela afirma que houve negociações nesse sentido em 2008 e 2009 com a cidade do Rio de Janeiro para a instalação de uma base militar norte-americana voltada ao combate ao narcotráfico. A argumentação dos americanos para essa ‘ajuda’ seria a configuração desses grupos como terroristas.


“Quando Washington vem com esse discurso de ajuda, temos que ter claro que os EUA são amigos dos EUA e de mais ninguém. Eles precisam e vão defender sempre os próprios interesses”, disse José Renato Ferraz da Silveira, da Universidade Federal de Santa Maria (RS).

A nova (e estratégica) classe média
Publicado em 08/08/2012 às 21:49

Em entrevista ao BlogACI, o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Wellington Moreira Franco, explica porque a pasta tem se dedicado a monitorar a expansão da classe média brasileira. Ele também fala da necessidade de atrair mão-de-obra estrangeira especializa para setores estratégicos da indústria e para universidades e centros de pesquisa.

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Publicado em 08/08/2012 às 20:44

Crescimento que incomoda muita gente
Publicado em 08/08/2012 às 20:40

O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Wellington Moreira Franco (foto), encerrou o terceiro dia de evento com uma preocupação: ascensão brasileira provocará tensões no futuro. “Não podemos achar que não encontremos antagonismos”, alertou. “E isso não diz respeito apenas ao Brasil, mas à toda a América do Sul, que será cada vez mais um ponto de interesse no mundo, e isso, em algum momento, irá contrariar interesses de outros atores”.


O discurso parece um pouco alarmista, mas de modo geral, reflete o que pensam os pesquisadores presentes ao evento. Em diferentes mesas de debate, esses estudiosos, assim como Moreira Franco, trataram da urgência de se pensar os desafios para a segurança nacional dentro de um contexto que diz algo como “a partir de agora, chamaremos mais a tenção e incomodaremos alguém”.


Umas das questões mais urgentes, segundo o ministro, é reorganizar a indústria de defesa. “Ainda não temos uma política industrial para esse setor produtivo e somente um plano estruturado nos permitirá retomar o que tínhamos nos anos 70”, disse. Ele salienta que, para tanto, é importante criar instrumentos que tornem o produto final mais barato. “É um tipo de industria que só tem um cliente: o governo. Então, há que se pensar em maneiras de desoneração”.


A fala do ministro de Assuntos Estratégicos teve um tom mais participativo. Sem apresentar as medidas concretas que o governo deve tomar no futuro, Moreira Franco preferiu trazer indagações para que os pesquisadores presentes também fizessem o exercício de pensar soluções.


Soluções, por exemplo, para as restrições orçamentárias. “Se o país ainda tem questões sociais muito graves para resolver, isso impede que o governo priorize o setor de defase na formulação do orçamento”, afirmou.


Para ele, a conquista de mais espaço nos recursos da União depende também de projetos mais bem elaborados e com objetivos claros. “A questão mais importante não é nem o quanto se investe, mas a regularidade desse investimento, para que projetos não sejam encerrados antes de cumprir seus objetivos”. O ministro disse ainda da dificuldade que o tempo político impõe par a criação de propostas de longo prazo.


Faça o que digo, não faça o que faço!


“O que vamos assistir nesta década é as economias desenvolvidas aumentando o seu protecionismo ao mesmo tempo em que combaterão ferrenhamente o protecionismo dos demais países”, salientou o ministro. Para ele, um exemplo claro dessa tendência é um documento enviado ao Congresso dos EUA pelo presidente Barack Obama em que claramente se buscam formas de chamar de volta ao país empresas que foram, no passado, estimuladas a expandir suas atividades no exterior. “E o motivo é claro: precisam garantir empregos, reativar mercados”, explicou Moreira Franco.


Para ele, o momento é de fortalecer a integração regional que marcou as últimas décadas na América da Sul. “Temos que ter a coragem de dizer com clareza que o protagonismo desta região é crescente e, nas circunstancias em que o mundo se encontra, estamos destinados a nos transformar em polo extremamente importante no mundo”, disse, completando: “mas, não podemos perder a consciência de que esse destaque gera ameaças, e para evitá-las temos que compreender nossas vulnerabilidades.”


Ele terminou sua palestra reiterando o desejo do setor de trabalhar com as universidades. “A capacidade política de fazer boas mudanças dependem de boas ideias, que podem vir da academia”, disse, destacando medidas como editais de financiamento à pesquisa voltados ao tema, como o pró-defesa e o pró-estratégia.


As manifestações da plateia, no encerramento do dia, foram ambíguas. Falaram muito sobre como seria promissor trazer oficiais para programas de pós-graduação nas universidades e também de levar estudiosos civis para pesquisar dentro dos setores militares. Mas também se reconheceu que a construção do saber nessa área ainda terá um logo caminho. Um dos participantes disse ao ministro: “O Brasil está desarmado de mentes.”

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Publicado em 08/08/2012 às 11:50

O Brasil e seus pés de barro
Publicado em 08/08/2012 às 11:40

A conferência de encerramento do segundo dia de evento foi apresentada por Marcos Costa Lima (foto), professor da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) e presidente da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais). De cara, ele diz ter ficado positivamente surpreso que um evento sobre Defesa e Segurança tenha atraído mais 600 inscritos, muitos deles jovens pesquisadores. “Esse era um tema muito pouco desenvolvido no Brasil, mas é um bom sinal o aumento do interesse da academia pelo tema”, comentou.


Lima é especialista em política econômica internacional, por isso, trouxe para sua apresentação uma discussão menos centralizada no tema da Defesa. Ele salientou, por exemplo, que autores contemporâneos como Barry Buzan e Susan Strange tratam da questão da segurança no contexto mais amplo da sociedade.


Esse Buzan, aliás, é o intelectual mais citado em todos os debates acadêmicos do evento. Como explicou Lima, esse autor divide a segurança de um país em cinco setores: militar, político, econômico, ambiental e social. E Strange diz que uma metodologia sobre os limites territoriais de um estado pressupõe quatro estruturas básicas: segurança; credito (finanças); conhecimento (tecnologia); e produção.


Os dois autores estariam dentro de uma corrente de pensamento no âmbito da segurança chamada de “Alargamento”, que se opõem à “Tradicionalista”, que é mais estado-cêntrica. Essa nova perspectiva questiona a primazia militar e do estado na conceituação de segurança.


Nessa perspectiva mais ampla, o pesquisador mostrou os pontos fracos s fortes do país.


Fragilidades:


- Atraso tecnológico em escala internacional;
- Defesa militar brasileira defasada em equipamentos e mentes;
- Liderança das corporações transnacionais nos setores de industrialização de ponta no país;
- Falta de projeto de país de longo prazo;
- A restrição orçamentária: o que priorizar?
- Reduzido diálogo entre as forças armadas e a sociedade com relação às estratégias de segurança para o país. “As forças armadas tem uma contribuição fantástica para o país, mas ela fez uma opção no passado e não é a toa que a população tem um pé atrás”, avalia. “Acho que a ditadura é uma questão resolvida, mas tem que dar continuidade ao debate e incorporar os erros históricos”;
- Reforma agrária nunca foi enfrentada e isso vai bater nossas portas no futuro;
- A questão urbana é outro problema. O BNH deixou de existir em 1980 e, de lá para cá, houve explosão populacional, o que originou a maior parte das favelas do país;
- Desníveis de desenvolvimento entre as capitais e o interior dos estados, sobretudo no nordeste;
- Matriz energética, que estava consolidada, agora, vem sendo amplamente debatida; Modelos alternativos também estão em cheque, como no caso da energia nuclear, descartada por Japão e Alemanha logo após o desastre de Fukushima, mas recentemente reconsiderada por ambos.


Forças:


- Alto nível da diplomacia brasileira. “Um exemplo é o imbróglio com a Bolívia. Tinha gente que falou em movimentar tropas na fronteira. Mas o Brasil teve a honrosa posição de admitir que a reivindicação deles era justa, e isso nos dá credibilidade em negociações futuras”, disse;
- Há mais de 150 anos o país não tem guerra – ativo significativo, sobretudo para um país que tem treze países como vizinhos. Isso indica alta capacidade de mediar;
- A persistência por ser um sujeito ativo na política internacional, atuando em temas em que o Brasil não havia participado antes;
- A aproximação com novos articuladores internacionais e a criação de novas arenas de debate – Mercosul, Unasul, IBSA, BRICS, G20;
- Buscar por uma liderança consensual na América do Sul – cooperação e mediação de conflitos.
- A promoção de novos temas na agenda política internacional: pobreza, meio ambiente e direitos humanos.


Ao finalizar, o pesquisador brinca: “Quero desenvolver o conceito de 'país-gambiarra', ou seja, quer resolver tudo, mas não define prioridades. Faz um pouquinho ali, um pouquinho aqui e não dá continuidade. Essa mentalidade precisa ser revista.”

Corrida armamentista na América do Sul
Publicado em 07/08/2012 às 21:44

É só o Hugo Chaves dizer que quer comprar caças do Brasil e já dizem logo que há uma corrida armamentista na América do Sul. Muitos pesquisadores trataram do tema neste segundo dia de evento. Eles citaram reportagem da revista Time mostrando como aumentaram o gasto com a compra de armas e outros equipamentos bélicos. “Mas claro, ficamos anos sem nenhum investimento”, argumentou um professor. “Os aviões do exército venezuelano eram de 1980”, disse outro pesquisador.


O que se comenta no encontro é o que, na última década, houve uma reestruturação do setor em muitos países da região, mas porque houve investimento zero nos anos 90. Uma compensação, explicam.


A Unasul teve até que emitir um documento oficial dando transparência às compras feitas pelos países na área de defesa e deixando claro que não há corrida armamentista. A polêmica, gerada sobretudo pela imprensa internacional, mostra que há muito interesse em ver a América do Sul desarmada. Bom, pelo sim, pelo não, é bom deixar a casa em ordem, né?

Sem estigmas contra as drogas
Publicado em 07/08/2012 às 21:40

Andréa Ribeiro, da ESPM e da UFF, é formada em relações internacionais e seguiu carreira acadêmica na antropologia pesquisando a abordagem científica acerca do tráfico de drogas. De cara, ela propõe uma tarefa nada fácil para um cientista: o distanciamento.

“O tráfico de drogas tem um enorme estigma na nossa sociedade, que tem um forte componente moralizador cristão. Se você analisar o tráfico de drogas fora dessa perspectiva, ele não é muito diferente do tráfico de jóias ou de armas, que em muitos casos, são crimes que recebem um tratamento mais brando por parte da opinião pública”, argumenta.

Segunda ela, na área de segurança, muitos estudiosos se dedicam ao tema com recortes de ‘extermínio ao tráfico de drogas’ ou mesmo um combate moral ao uso de drogas.  “Não se pode ignorar o usuário porque um produto é vendido para alguém e esse alguém sustenta o sistema, mas podemos com certeza retirar o componente moralizador da nossa abordagem”, continua.

Ela ressalta estudos em que narcotraficantes autoanalisam o que fazem. E, segundo a pesquisadora, eles se vêem na maioria dos casos como comerciantes que buscam lucro. “Não se trata de neutralidade, que é um marco regulatório inatingível, mas de distanciamento, para que possamos ver a questão como ela melhor se apresenta, sem distorções da nossa concepção de mundo”, diz. “Se a gente for capaz de ver a questão da droga como um comércio inserido numa rede complexa que gera lucro para alguém, teremos mais capacidade de agir em relação ao problema.”

Ela também critica que o pesquisador possa ter uma postura mais libertária em relação à droga, como experiência libertadora do “eu” (aquela coisa toda, né?). Para ela, essa visão, que foi predominante entre os intelectuais dos anos de 1960 e 70, é romantizada e até ingênua.

E se você pensou nos filmes Tropa de Elite (2007) e Cidade de Deus (2002), ela também! Para ela, enquanto Tropa faz uma condenação do usuário, desumaniza o traficante e endeusa o Bope, Cidade faz uma romantização da criminalidade que, na época, chegou a ser acusada de apologia ao crime. Bom, uma polêmica dessas é assunto ‘pra mais de post’!

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Publicado em 07/08/2012 às 21:38

Wikimedia Commons

O Haiti não é aqui
Publicado em 07/08/2012 às 21:36

Tema recorrente neste segundo dia de evento, a missão brasileira do Haiti foi abordada pelo major Fábio Cordeiro Pacheco, ao apresentar sua dissertação defendida na Escola de Comando Estado-Maior do Exército, e também pelo professor da Unesp de Marília Sérgio Aguilar.


O major Pacheco fez sua pesquisa partindo da pergunta “Será que nós realmente tivemos êxito no Haiti?”. E, a partir daí, faz uma análise da atual projeção internacional do Brasil, o protagonismo do nosso exército na Minustah (sigla derivada do francês: Mission des Nations Unies pour la stabilisation en Haïti), cujo comando vem sendo revezado por oficiais brasileiros.


Em suas conclusões, ele indica esse êxito e acrescenta que a participação do país em missões de paz deve aumentar. A percepção dele também é corroborada pelo professor Aguilar, que tem um projeto de pesquisa concentrado na gestão da crise pós-terremoto no Haiti. Com financiamento da Fapesp, o foco dele, claro, também é o papel do Brasil.

A pergunta do professor da Unesp é um pouco mais crítica. Ele quer saber por que o país quis marcar uma forte atuação neste caso. “Seguindo a teoria do realismo em relações internacionais, há, como sempre há, um interesse. Mostrar poder? Colocar aquele que recebe ajuda na nossa lista de interesse? Uma forma de soft power?”, indaga.


Ele conta que ministro o Celso Amorim disse na ONU, em certa ocasião, que a diplomacia brasileira queria associar ao principio da não ingerência o da não indiferença, o que justificaria a ação do Brasil no Haiti. E, segundo o pesquisador, há estudiosos que definem a situação como “diplomacia solidária”, algo, de fato, desinteressado.

Mas para Aguilar, o interesse é claro: “o Brasil quer mais participação em órgãos de segurança e defesa”, disse. Para dar uma clara idéia do esforço empreendido, ele apresentou números do desastre e do esforço brasileiro.


O epicentro do terremoto foi a apenas 17 km da capital, que tem 85% da receita do país. 20% dos funcionários públicos morreram; 28% dos prédios foram destruídos e muitos ficaram com avarias. Portos e aeroportos ficaram indisponíveis; e, até hoje, praças no centro do Haiti são campos de desalojados.


O Brasil já tinha o maior efetivo na Minustah e era responsável por muitas parcerias técnicas com o governo haitiano. Logo após a tragédia, o presidente Lula instalou um gabinete de crise. O Rio de Janeiro estabeleceu uma central de recebimento de alimentos e remédios. O mesmo estado e o Distrito Federal enviaram bombeiros para o país caribenho.
Ministros foram imediatamente a Porto Príncipe acertar a ajuda brasileira. E as nossas Forças Armadas disponibilizaram uma estrutura de serviços médicos e um volume gigantesco de consultas e partos foi realizado.


Foram toneladas de água, remédio, comida, sementes e outros insumos e roupas. Os militares também instalaram muitas cisternas para os habitantes. Inicialmente, foram liberados 15 milhões de dólares para assistência, depois, mais um acréscimo e, por fim, mais US$ 55 milhões para um fundo internacional, do qual o Brasil foi o primeiro doador. “Essa agilidade buscou demonstrar o tempo todo que o país tem capacidade para agir como global player”, finaliza o professor.

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Publicado em 07/08/2012 às 21:32

Faz de conta em Darfur
Publicado em 07/08/2012 às 21:30

Sabe aquela sensação de que alguns lugares do mundo vivem em permanente conflito? Aquela  percepção muito comum no imaginário das pessoas sobre algumas regiões da África ou do Oriente Médio, por exemplo? São tantas notícias de mortos, de ataques, de rebeldes, que fica até difícil entender o que é cada conflito, quantos lados ele tem e por que ele não se resolve.

Compreender uma guerra como essa é a tarefa de Camila Macedo Braga, mestranda do Programa de Pós Graduação em Relações Internacionais “San Tiago Dantas”, oferecido em conjunto por Unesp, Unicamp e PUC-SP. A pesquisadora se dedica ao caso da região de Darfur, no Sudão – uma crise humanitária iniciada em 2002 e que dura até hoje. Seu foco de análise é a ausência da Unamid como mediador do conflito.

Iniciado em 2002, a guerra em Darfur teve seus massacres mais sangrentos em 2003, e apenas em 2004 a ONU deu uma primeira resposta ao problema. A demora se deve ao fato de que o conflito não era a prioridade do governo do Sudão (já havia um outro conflito ao sul do país). E ainda assim, essa primeira ação da Onu se concentra apenas em conter a violência por meio do controle de distribuição de armas, sem medidas para efetivamente negociar a paz. As missões de paz seguintes não tinham mandato para proteger civis e, em alguns momentos, seus membros foram vítimas de grupos armados e milícias patrocinadas pelo governo.

A pesquisadora fala que, em 2006, houve pressão internacional para que fosse assinado um acordo de paz, feito apenas com uma pequena facção e não com todos os grupos. Neste momento, da platéia da apresentação, vem o comentário “um faz de conta”. A estudiosa continua, dizendo que a consequência da farsa é que, em 2008 e 2009, esses grupos vão fazer ataques mais frequentes.

“A mediação internacional acabou levando a mais fragmentação, criando um novo grupo de rebeldes”, acrescenta Camila. Para ela, a causa de toda essa ineficácia é a incapacidade da Unamid de ser um mediador para o conflito por já estar alinhada aos interesses do governo sudanês. [Cabe lembrar que o país africano tem forte comercio com a China, que defende as posturas daquele governo em todas as reuniões da ONU].

Para a pesquisadora, é urgente reformular os instrumentos de dissoluções de conflitos. “Mais do que adicionar novos atores, é necessário criar novos processos e mecanismos mediadores”, conclui.

Os mercenários
Publicado em 07/08/2012 às 21:20

Tema bastante falado do evento, a defesa da região amazônica tem estimulado pesquisas com muitos enfoques. Uma delas mostra algo que, pelo menos para mim, surpreende: o filme Mercenários, estrelado pelo Rambo, pelo Rock, por Stallone, tem alguma coisa baseada na realidade. De fato, o governo americano, por meio de empresas privadas, tem recrutado mercenários para combater narcotraficantes na Colômbia.


Esse foi o tema do qual tratou Luiz Otavio Ribeiro Monteiro Jr, da Universidade Federal Fluminense (UFF). De acordo com ele, a ação integra o Plano Colômbia, dos EUA.
Segundo o pesquisador, cerca de 26 empresas norte-americanas trabalham em solo colombiano, no combate a guerrilhas.

Para o estudioso, essas empresas estão num limbo jurídico, por que não são forças armadas e constitucionalmente não podem agir como tal. Além disso, representam uma tensão em termos de segurança para a região. Imaginem se esses caras, sei lá, começam a agir por conta?

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Publicado em 07/08/2012 às 21:19

Livro Branco, setor nuclear e base de Alcântara
Publicado em 07/08/2012 às 13:30

E encerrando o capítulo 'Amorim' deste blog, segue a nossa entrevista exclusiva com o ministro pouco antes da conferência. E de antemão, peço desculpas pelo 'terremoto' na imagem (filmar sem tripé não é minha especialidade, rs). No vídeo curto o ministro fala da nova empresa Amazul, voltada ao desenvolvimento nuclear e comenta sobre o centro de lançamentos da Base de Alcântara (MA). Confira:


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Publicado em 07/08/2012 às 13:05

Brasil: potência mediadora
Publicado em 07/08/2012 às 13:00

O canadense Hal Philip Klepak Powell, professor da MC Gill University, não falou quase nada sobre o Canadá. Seu foco principal era a mesmo a América Latina, tema a que tem se dedicado há anos. Em um excelente espanhol, Powel disse ter ficado positivamente impressionado com as intenções do Brasil de fazer sinergias com os países da América do Sul na área de Defesa.

“Muitos se acostumaram a ver a América Latina dividida em Norte [América Central e Caribe) e Sul [Cone Sul], sendo esse Norte ligado aos EUA, na visão de alguns, sem muita escolha. Mas eu vejo alguns acertos políticos pontuais que apontam para uma maior integração da América Latina como um todo”.

Ele se disse impressionado pelos EUA não ter na região nenhum prioridade política e de Defesa. “A América Latina não é mais a mesma e os EUA não se deram conta dessas mudanças. Tratam a região ainda sob a ótica do fluxo de imigração e não vão muito além disso.”

Para marcar essa mudança, ele lembra que, nos primeiros anos da Organização dos Estados Americanos, foi dito que o órgão era “uma reunião de ratos, presidida por um gato”, arrancando risos da plateia. “Isso hoje, com certeza, é impensável. Uma coisa que me deixa surpreso é o fato da América Latina não estar sofrendo como se esperava com as crises econômicas atuais”, disse.

Segundo ele, os EUA querem blindar a América Latina de quaisquer perigos e ter algo em troca: aquisição de equipamento bélico americano e padronizado; acesso à doutrina; cursos e treinamentos sobre a estratégia de cada país; acesso a minerais estratégicos e produtos agrícolas importantes. “Mas com o distanciamento atual e uma articulação maior entre essas nações, isso pode não ocorrer.”

Terra eternamente em transe

Para exemplificar como o cenário internacional pode ser surpreendente, Powel menciona a Primavera Árabe. “Quem poderia imaginar algo assim a poucos anos? Eu conheço razoavelmente o Oriente Médio e não imaginei algo nesses moldes, ninguém previu!”, disse. “E veja, quem poderia supor que Cuba, após tantos anos de embargo, ainda conseguiria manter o comunismo como sua política de relações internacionais?”

De acordo com ele, um mundo com tantos potenciais conflitos e com pouca previsibilidade necessita de um país mediador de tensões. “E um dos países com maior potencial para isso é o Brasil, que está na América do Sul, mas tem interesses estratégicos com a região e com o resto mundo, podendo se tonar uma potência mediadora.”

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Publicado em 07/08/2012 às 11:06

Abertura
Publicado em 07/08/2012 às 11:00

A primeira conferência do 6º Encontro Nacional da Abed foi apresentada pelo ministro da Defesa Celso Amorim, na segunda-feira (06/08), marcando a primeira participação de um ministro da pasta no evento. Ao destacar o fato, Amorim disse que sua presença no encontro deve marcar uma maior cooperação entre os estudiosos dedicados ao tema da defesa e as forças armadas brasileiras. Confira os principais tópicos da fala do ministro:

 

Bolsas de estudo

Amorim destaca o Prodefesa, uma parceria entre as Forças Armadas, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o Ministério da Educação (MEC) para conceder recursos para pesquisas sobre Defesa e Segurança em áreas como Relações Internacionais, Direito, e Ciências Políticas, entre outras. Ele informou que a iniciativa caminha para o terceiro edital, que deve ser anunciado em breve.

 

Ouvir a academia

O ministro disse que a elaboração do Livro Branco da Defesa Nacional contou com a cooperação de cientistas dedicados ao tema, assim como as segundas versões do Plano Nacional de Defesa (PND) e da Estratégia Nacional de Defesa (END), entregues juntamente com o Livro Branco para a apreciação do Congresso. “Queremos encorajar a academia a refletir sobre esses documentos. As críticas e sugestões dos especialistas devem ajudar a aperfeiçoar as versões futuras”, disse.

Ele destacou a atuação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para criação do texto e anunciou a criação do Instituto Pandiá Calógeras, previsto na END. O nome é uma homenagem ao engenheiro, geólogo e político brasileiro, ex-ministro da guerra e fundador da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. O órgão será dedicado à formação de quadros civis para as carreiras ligadas à Defesa.

 

Informações claras

“Com o Livro Branco, o congresso debaterá o tema da defesa nacional a partir de uma base conceitual orgânica e explícita”, disse, ao se referir a objetividade e clareza do texto do documento, que explica os meios de execução da Estratégia Nacional de Defesa. Ele destacou também o crescente interesse da classe política sobre o tema, no país.

 

Comissão da Verdade

Amorim contou que foi a partir do pedidos por informação da área militar nos períodos de 1941 e 1991 que surgiu a idéia da criação da comissão da verdade. Segundo o ministro, os documentos solicitados foram entregues à Guarda Nacional e devem servir para análises da comissão, instaurada oficialmente em maio deste ano. 

 

Ascensão internacional

“A nova estatura do país requer Forças Armadas continuamente estruturadas”, disse o ministro ao defender mais recursos para o setor, que completa: “a prudência exige capacidade de reação. Ser pacífico não significa ser indefeso.”

Refletindo sobre a natureza pacífica do Brasil, Amorim advertiu que a paz no passado não garante paz no futuro. “Muito dessa paz se deve ao distanciamento do país, até então, em relação aos focos de interesses estratégicos internacionais e de áreas de crise”, afirmou. Para ele, o Brasil já alcança um novo status no mundo de hoje e passa a deter elementos estratégicos para o desenvolvimento no futuro, como reservas de água doce, combustíveis, potencial para produção de alimentos e reservas biológicas.

 

Integração regional

Amorim defendeu uma sinergia cada vez maior com os países vizinhos como um exemplo de cooperação militar em tempos de paz. Destacou que o Brasil marcará a integração com a América do Sul como foco central em sua atuação na América Latina como um todo.  

 

O caso da Síria

O ministro chama a atenção para o que ele chama de um novo método militar praticado pelas grandes potencias -- a contra-proliferação, ou seja, a atuação preventiva contra ameaças hipotéticas. Entre as formas de ação desse método, ele destaca ataques contra sistemas estratégicos como internet, energia, combustíveis e sistemas de distribuição de água; e assassinatos de líderes políticos e também de cientistas.

Ao comentar o fracasso da missão de paz de Kofi Annan na Síria, ele comenta que muitos já se perguntam se “a missão não tinha sido concebida exatamente para ser um fracasso e, assim, justificar uma intervenção militar.”

Ao finalizar, o ministro reiterou a defesa de um Conselho de Segurança da ONU mais representativo, com a inclusão do Brasil e de outros países.

Entrevista com ministro Amorim
Publicado em 06/08/2012 às 18:33

Como se espera de um diplomata, o ministro Amorim deu uma entrevista simpática e, claro, cuidadosa nas respostas. Confira, em breve, um vídeo, com a conversa.

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Publicado em 06/08/2012 às 18:32

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Publicado em 06/08/2012 às 18:31

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Publicado em 06/08/2012 às 18:30

Guerra e Paz
Publicado em 06/08/2012 às 16:27

A primeira edição do Encontro da ABED foi sediada na própria Unesp, como relata o professor da Unesp de Franca Samuel Alves Soares, presidente da entidade. Ele explica que o encontro serve para que estudiosos apresentem seus estudos sobre Defesa e Segurança e contribuam para a discussão ampla do tema.

Em entrevista ao PodCast Unesp, o pesquisador do Departamento de Relações Internacionais, explica que os membros da Associação foram consultados para a elaboração do Livro Branco de Defesa Nacional. Ouça aqui

O que o Brasil pensa sobre defesa?
Publicado em 06/08/2012 às 16:00

Especialistas, pesquisadores e autoridades da área de defesa e segurança estarão reunidos a partir da noite desta segunda-feira (06/08) para apresentar um pouco do “Pensamento Brasileiro em defesa”, título do evento promovido pela ABED (Associação Brasileira de Estudos de Defesa), com apoio da Unesp.

O BlogACI preparou uma edição especial para a cobertura do evento, destacando trechos das falas dos principais convidados, a participação do público e fatos que marcarão este encontro dedicado a um tema ainda pouco conhecido do público brasileiro.

E de cara, vamos destacar o que disse o ministro Amorim nesta noite. Em sua apresentação ele falará da criação do Livro Branco da Defesa Nacional, um documento recém-entregue por ele ao Congresso Nacional e que busca divulgar a Estratégia de Defesa Nacional e a Política Nacional de Defesa. Confira, em breve, nos próximos posts do nosso blog.

As conferências dos próximos três dias serão apresentadas no Braston Hotel, que fica na rua Martins Fontes, 330, na República. Mais informações sobre o evento podem ser conferidas na matéria publicada hoje pelo Portal Unesp ou no site do evento em http://www.abedef.org/ .

 

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