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Cínthia Leone é editora
do Portal Unesp
Vamos fazer um blog?
Publicado em 22/06/2012 às 23:50

Como assessores de imprensa, buscamos sempre "vender" a Universidade para além dos muros dela. Mostrar a relevância de seus trabalhos, a qualidade de seu ensino, as pesquisas científicas e ações para a comunidade. O projeto deste blog pega propositadamente a contramão ? quer trazer o debate de um momento histórico para dentro da Unesp, ainda que de um jeito muito simples e descontraído.

A iniciativa fica completa com a edição de julho do Jornal Unesp, que trará em seu caderno Fórum uma reflexão sobre três temas que perpassaram os debates da Cúpula dos Povos na Rio+20: a proteção às comunidades tradicionais; o fortalecimento das mulheres; e a educação ambiental. Confira em www.unesp.br/jornal a partir de 1º de julho. 

O futuro que nós teremos
Publicado em 22/06/2012 às 23:00

Durante a Cobertura da Rio+20, muitos jornalistas com quem conversei iam reafirmando a disparidade entre a Cúpula dos Povos e a Conferência oficial da ONU, no Riocentro. E as diferenças ficaram marcadas do começo ao fim.

As caras amarradas que circulavam na Barra da Tijuca e a efervescência cultural do Aterro do Flamengo era retratos de desejos distintos. Nada mais democrático do que maneiras de pensar, ser, querer e sentir diferentes.

Cá, a economia verde foi amplamente criticada (é claro que o grande problema aí e com a palavra "economia" e não com a palavra "verde"). Lá, o Brasil liderou a defesa desse conceito, uma ideia de que é possível resolver de uma só vez os problemas da economia e do meio ambiente. Será? O pessoal da Cúpula do Povos acha que é hora de consumir menos, crescer menos ou diferente, defendendo que crescimento econômico não acaba com a pobreza e sim a distribuição de renda. Mas que político assumiria um discurso de baixo ou nenhum crescimento?

Na Cúpula dos Povos as mulheres fizeram um dos protestos mais emblemáticos do evento. Disseram para todo mundo ouvir que o corpo era delas e podiam dispor deles como e se quisessem, sem que isso implique em violências sexuais e morais. E por conta da própria integração que a cúpula permite, essas feministas de diferentes movimentos conseguiram perpetrar outras causas -- lutas indígenas, movimento negro, educadores ambientais, pequenos agricultores --, todos tinham se conscientizado de que sem condições reais de igualdade entre homens e mulheres, não se há de falar em desenvolvimento sustentável.

No Riocentro, o Vaticano, que participa da ONU apenas como país observador, conseguiu retirar do texto final do encontro trechos que falavam sobre direito reprodutivo das mulheres e outros tópicos. Esse mesmo texto deixou de contemplar uma série de bandeiras da sociedade civil. Esse fato levou a uma indiscutível ressaca moral no dia 20/06 para todos que participaram da Rio+20? Até para os jornalistas. Uma tristeza só.

E no finzinho do dia 20, enquanto o pessoa da Cúpula dos Povos afogou suas mágoas em um quente, grande e chuvoso protesto, o governo brasileiro já começava a puxar o cordão do "tá ruim, mas tá bom."

Claro, dirão os analistas políticos, é uma questão de papéis. Ser otimista agora é papel dos políticos, dos diplomatas e da própria ONU. "Avanço", dirão, "Ponto de partida", já dizem. O discurso é adotado com mais paixão principalmente por quem não fez nada para ajudar e agora quer sair bem na foto -- falo claramente dos EUA, representados por Hilary Clinton, que deu uma "passadinha" no Riocentro hoje (20), para falar que o texto é ótimo e que vai dar 20 milhões de dólares americanos para combater a fome na África. Ah... tá!

E é papel das ONGs desdizer tudo isso e falar do que ficou faltando e do que retrocedeu. Muitos dirão que eles fariam isso mesmo que o texto fosse muito superior ao que foi apresentado. Mas é claro que o acordo insípido facilitou em muito o trabalho crítico da sociedade civil.

Os que chegaram em tão baixo astral regressam aos seus países como se tudo estivesse bem. Os festeiros da Cúpula dos Povos se vão com a clareza de que o trabalho a ser feito é ainda maior do que muitos pensavam. Mesmo assim, encerram os trabalhos no Aterro do Flamengo no dia 23 ao som de Maria Gadú, Milton Nascimento e Playing for Change. Enquanto os primeiros saem ao silêncio de vaias veladas. Dois mundos distintos, tão divergentes quanto o mundo que queremos e o que temos.

Liberdade para poluir
Publicado em 22/06/2012 às 18:00

O artista plástico dinamarquês Jens Galschiot trouxe ao Brasil uma parte de seu conjunto de esculturas que retratam um mundo pós-apocalipse ambiental. A montagem foi uma das atrações mais fotografas pelos vistantes da Cúpula dos Povos. A obra completa ou trechos dela já passaram por países como México, Quênia, França, Suíça, Japão, Holanda, Canadá e Austrália.

Além da réplica da Estátua da Liberdade com a inscrição “Liberdade para poluir, em inglês, o conjunto tinha uma peça ainda mais polêmica: uma mulher grávida crucificada. “Essa é uma mensagem contra as posições conservadoras do Vaticano em relação às mulheres”, diz Jens.

“Também é um protesto contra os países como o Brasil, que proíbem o aborto, fazendo com que a mulher se sacrifique em nome de uma gravidez que não deseja ou morra em abortos ilegais.”

 

 

São ingleses querendo ser caboclos
Publicado em 22/06/2012 às 17:00

Nos primeiros dias, os gringos de países desenvolvidos pareciam uns peixinhos fora d´água na Cúpula dos Povos. Ao que parecia, tinham muito mais coisas para ouvir do que para dizer. Conheci um grupo cristão da França; uns meninos meio escoteiros dos EUA; estudantes canadenses preocupados com a defesa da natureza em seu país ? ia um pouco por aí, um bom-mocismo romântico. Mas diante das lutas camponesas na Bolívia; da defesa dos direitos humanos dos indígenas no Brasil; das estratégias para garantir segurança alimentar em Moçambique; realmente não dá para dar muita atenção aos moços do Norte desenvolvido.

O primeiro grupo me pareceu muito curioso e impressionado com tudo o que via. A segunda turma queria mais, muito mais. Foi ali para falar, denunciar, mostrar que tem orgulho do que é e de onde veio, buscar ajuda de outras Ongs com histórias parecidas, levantar bandeiras para muitos desconhecidas. Era um volume de conteúdo contagiante.

Com o passar dos dias, já era possível ver os moços de olhos azuis com penachos na cabeça, pele pintada com desenhos tribais de tinta negra e bracelete de contas. Os cabelos, desde antes desgrenhados, ganhavam uns apliques coloridos estranhos ou flores no caso das meninas. Eles barganhavam o preço dos artesanatos e pretendiam levar tudo quanto era coisa, como artesanato de capim dourado, garrafas térmicas forradas de couro do Paraguai e muitos, muitos colares de índio.

Paraguay
Publicado em 22/06/2012 às 16:00

A tensão política no Paraguai foi assunto da Cúpula na tarde do dia 21 e durante todo este dia 22.

Havia grande número de paraguaios no evento, que em sua maioria, classificaram como golpe o impeachment do presidente Lugo. 

Índio tá com tudo!
Publicado em 22/06/2012 às 08:00

Os Índios estão com tudo nessa Rio+20. Na Cúpula dos Povos, eles são os tais!!!

HK Pop
Publicado em 21/06/2012 às 22:00

Esse pessoal de Hong Kong mandou muito bem num showzinho durante o almoço aqui na Cúpula.

Eles são de uma Ong que reúne jovens para protestar contra o aquecimento global

Raoni
Publicado em 21/06/2012 às 17:00

Raoni Metuktire

O famoso Cacique Raoni Metuktire participa de debate sobre
identidade indígena,
na Cúpula dos Povos.

Belo Monte de controvérsias
Publicado em 21/06/2012 às 15:00

Ontem a neta do Cacique Raoni, Mayalú Kokometu Waurá, veio a Cúpula dos Povos pedir ajuda do público para parar as obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Xingú. "Eu sei que para vocês estarem aqui, é porque vocês apoiam as causas dos índios. Então, eu peço a vocês que escutem a minha história, que é bem diferente da que as autoridades querem que o mundo ouça", disse, com voz firme de quem sabe que tem sangue de líder.

O evento não era oficial. Por isso, a índia Tchucarramãe falou a pleno pulmões. Não havia microfone, iluminação, nada. Apenas se instalaram numa tenda vazia, colocaram uma faixa atrás e começaram a falar. Umas quatrocentas pessoas se acotovelavam para ouvir, e a maior parte da plateia era de jornalistas estrangeiros.

"A estratégia do governo foi colocar etnia contra etnia no Xingú. Ofereceram coisas para uns e acabaram causando um racha na resistência. Mas como não cumpriram os acordos que fizeram, as tribos se levantaram outras vez", relatou. A índia criticou o fato de os ônibus da cidade do Rio de Janeiro terem exibido durante esses dias de Rio+20, vídeos sobre Belo Monte que diziam que nenhum índio seria afetado. "Nosso maior problema é que querem levar as comunidades para regiões sem oferta de água, o que significaria o fim do nosso modo de vida."

Além dela, outros moradores da região falaram, como o índio da etnia Kayapó Matudjo Matuktire. Ele contou que entre as coisas que o consórcio Norte Energia teria oferecido para um acordo com os índios, estavam barcos, mesmo diante do fato de que eles seriam retirados das áreas banhadas pelos rios. Uma atitude que faz pensar que desde o tempo que os portugueses traziam espelhinhos para os nativos, a negociação com os índios avançou só na aparência.

A Ong Justiça Global afirmou que a obra de Belo Monte é ilegal, embora não tenha sido considerada como tal judicialmente. Isso porque ela infringiria uma série de leis ambientais e p direito humano. A entidade explicou o processo que culminou no mal-estar entre o Brasil e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A Ong e outras organizações teriam feito a denúncia de diferentes desrespeitos aos direitos humanos na região ao organismo internacional. E o Brasil, como reação, ameaçou cortar o financiamento da CDIH.

O grupo Norte Energia é formado por empresas públicas Eletrobrás, Eletronorte, Cemig aliadas a fundos de pensão do funcionalismo público e mais 9% de participação da Vale do Rio Doce, que é controlada pelo governo. Somando tudo isso, o financiamento público da obra é de cerca de 80%. O empréstimo para a obra também veio quase todo do BNDES. Segundo os palestrantes, o comportamento do consórcio é incompatível com o interesse público e, por isso, com o financiamento público.

Eles denunciaram que a investigação das denúncias passa pelos juízes de primeira instância, mas depois são arquivadas pelo judiciário do Estado do Pará. Falaram das ameaças de morte e processos judiciais que o jornalista Rui Sposato (presente ao debate) tem sofrido por denunciar as arbitrariedades. Falaram que além de alagar muitas áreas, o empreendimento causará seca na Volta Grande do Xingú.

"Quem não precisa de água nesse mundo?", questiona Mayalú. "Não somos contra o desenvolvimento. Somos contra essa destruição que querem promover com nossas aldeias. Eu sou mãe. Tenho que lutar pelo direito dos meus filhos de continuar existindo como índios."

Vende-se Poesia. Drummond, Bandeira ...
Publicado em 21/06/2012 às 14:00

 

A profissão do futuro do mundo Bicho Grilo SA é declamador de poemas. A um real cada poesia, esse moço não parou um minuto sequer, de manhã, de tarde e de noite. Antes que ele terminasse de falar, vinha alguém e depositava uma moedinha para a próxima poesia. Ele até perdia a concentração com tanto assédio.

Gente, assim vocês vão acabar com o repertório do moço! Eita povo ávido por cultura e lirismo! Essa é a Cúpula dos Povos!

Mas é carnaval!
Publicado em 20/06/2012 às 18:30

Acabo de voltar do Centro do Rio onde a Marcha do Povo entrou para a história do evento como a maior manifestação popular da Rio+20. Foram cerca de 20 mil pessoas, segundo a polícia militar, e 50 mil, de acordo com os organizadores. A passeata reuniu diferentes grupos que estavam concentrados na Cúpula dos Povos, além de agregar manifestantes de sindicatos de funcionários públicos em greve.

A multidão ocupou pelo menos dez quadras da avenida Rio Branco. O protesto era bravo, forte, mas também feliz. Havia uma atmosfera de carnaval fora de época, de escola de samba passando. Tinha a ala do desmatamento zero, dos direitos das mulheres, dos indignados. Pequenos grupos transitavam entre os blocos defendendo causas específicas, como índios bolivianos contra a mercantilização da água.

As alegorias ficaram por conta dos carros de som. E os puxadores gritavam palavras de ordem de toda natureza. Muita batucada para animar os passistas e gritos de guera. “Levante-se! levante-se!” , ordenavam um grupo de universitários. Porta-estandartes para todos os lados hasteavam bandeiras de movimentos populares, partidos políticos, ONGs. E como muitas vezes é visto no carnaval, nossas matas, nossos índios, religiões afro-brasileiras – estava tudo lá também.

E a riqueza dos adereços? Uma caricatura da presidenta Dilma com rosto de madeira; um Tio Sam em verde e amarelo; um enorme planeta Terra de borracha, sustentado por manifestantes que gritavam “está caindo, está caindo!” Foi bonita a festa, pá!

Debaixo de chuva, todos os jornalistas se acotovelavam para fotografar cada detalhe. A foto acima foi tirada do segundo andar do Mac Donald´s da Rio Branco.

De manhã, um vazio cinza
Publicado em 20/06/2012 às 16:30

Estava previsto que 5 mil pessoas sairiam do Sambódromo, onde estão acampadas e seguiriam em ônibus na direção do Riocentro, na Barra da Tijuca, que como eu já disse é do outro lado da cidade. Eles deveriam sair às 5h30, para iniciar os protestos às 8h. Então, lá fui eu!

Ao chegar em Alvorada, que fica próximo, mas não tão próximo assim que desse para ir à pé, percebi que não havia movimentação nenhuma. Os ônibus da ONU, que nos dias anteriores levavam o público gratuitamente até o Riocentro, teve seu uso restrito desta vez. O clima estava muito diferente dos dias anteriores, e não foi só por causa da chuva e do friozinho de começo de primeiro dia de inverno.

Embaixo de chuva, peguei um taxi – uma estratégia, já que só os taxis e carros de moradores estavam passando dos bloqueios. Mas eram muitos bloqueios, muitos militares, parecia estado de sítio. Era um esquema de segurança impressionante. Ao chegar em frente ao Riocentro, percebi que não havia como os manisfestantes chegarem até alí. Mais tarde, soube que um grupo de índios chegou perto dos bloqueios e chegou a fazer algum barulho, mas foi só.

Ao retornar à Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, percebi que o evento estava esvaziado em relação aos dias anteriores. Será que a chegada dos chefes de Estado levou a essa debandada? Ou foi a chuva? Ou o texto controverso apresentado ontem pela Conferência? Onde estavam os que a pouco iam mudar o mundo?

Chequei a minha agenda e lembrei que às 15h haveria um protesto no centro. Considerei que o povo estivesse guardando as energias para esse momento e acertei, como você confere no post seguinte.

Bichos e homens
Publicado em 20/06/2012 às 15:00

A exposição Brasil Cerrado, do artista Siron Franco é uma das atrações do MAM na Rio+20. O museu fica no Aterro do Flamengo, local de realização da Cúpula dos Povos.

O proposta leva o visitante para dentro do Cerrado, começando pelos rios, representados por uma túnel azul, com sons e movimentos de água.

Em seguida, as pessoas entram na mata escura, ouvindo os barulhos dos animais noturnos e tateando para não errar o caminho.

No salão principal da mostra tem uma exibição das espécies do Cerrado, com trabalhos de iluminação e som.

Antes de sair, o visitante passa por um túnel de fogo. É possível sentir a aflição dos animais em meio às queimadas. Há, inclusive, cheiro de queimado. No final, espelhos em forma de animais lembra que a existência do homem depende de outros seres vivos.

A exposição, em cartaz de 12 a 23 de junho, foi criada especialmente para a Rio+20.

Rádio Cúpula dos Povos
Publicado em 20/06/2012 às 13:00

Assunto recorrente no Aterro do Flamengo é a liberdade de comunicação. Nesse caso, o tema vai muito além da liberdade de imprensa mais relacionada à censura de governo, de empresas ou mesmo à autocensura. Os palestrantes e manifestantes do evento querem mesmo é ter seus próprios meios de comunicação. Uma mídia em especial é o centro das atenções por ser barata e simples de fazer e veicular: o bom e velho rádio.

A discussão sobre o direto das comunidades de ter suas próprias rádios faria parte da Cúpula dos Povos de qualquer jeito pela natureza do tema e do evento. Mas desde o domingo, o assunto ferveu. O motivo foi a tentativa de fechar a Rádio Cúpula dos Povos, um veículo criado para transmitir a programação do encontro, entrevistas com os participantes, convocações para passeatas e até denúncias de problemas sociais e ambientais.

Estava tudo mais ou menos em paz quando a proposta era apenas veicular a Rádio na internet. Mas quando a transmissão foi literalmente ao ar, nas ondas do rádio mesmo, na frequência 90,7 para o Aterro do Flamengo, a Anatel quis fechar o estúdio instalado no local.

A medida foi tomada no domingo. Ou melhor, foi ensaiada. Na hora de fechar mesmo, o público da Cúpula esperneou, então, deixaram para lá. Provavelmente pensaram que a Rádio Cúpula é temporária. Mas e com as rádios comunitárias criadas para ser permanentes? Foi daí que o debate sobre a concentração midiática no país esquentou para valer. O fato é que essas comunidades querem e precisam se comunicar, mas os veículos na, maioria das vezes, têm outros prioridades.

Quem ficou curioso e quiser ouvir a Rádio Cúpula dos Povos pode acessar a home do site principal do evento em http://cupuladospovos.org.br/. A programação tem inserções em diversas línguas, inclusive em dialetos indígenas.

Sementes de verdade
Publicado em 20/06/2012 às 09:30

A Cúpula dos Povos tem todos os dias uma feira de troca de sementes crioulas. Nada é vendido. É tudo doado ou trocado mesmo. A ação é organizada pela Rede de Grupos Agroecológicos (Rega).

Sementes crioulas são as sementes naturais dos diferentes alimentos. Quando um plantador compra sementes de um determinado fabricante, esse produto gera apenas uma safra. Se o agricultor tentar plantar os grãos nascidos daquela colheita, nada nasce. Ou seja, o produtor terá sempre que comprar novamente as sementes a cada plantio.

Essa prática é promovida por grandes corporações por meio da modificação genética. Eles alegam que fazem altos investimentos em tecnologia para tornar os cultivares mais resistentes à pragas, por exemplo, ou maiores, mais comerciais. E dizem, por isso, que têm propriedades intelectuais sobre o produto final, melhorado, e que precisam de retorno financeiro para continuar as pesquisas.

Além de libertar um pouco os produtores das garras dos fornecedores de insumos rurais dando a eles sementes que geram sementes, a iniciativa pode devolver à mesa dos brasileiros alimentos quase em extinção. Um exemplo é o milhozinho vermelho, que segundo o feirante, produz uma pipoca avermelhada e mais crocante. Ele não é cultivado por conta da mecanização da roça -- a máquina que colhe o milho não consegue retirá-lo devido à sua finura.

Mais do que uma feira de trocas, a ação acabou virando uma atividade de educação ambiental. Todos os visitantes ficam boquiabertos de ver feijões tão grandes e outros tão pequenos, frutas totalmente estranhas e variedades novas de produtos já conhecidos, uma riqueza perdida de aromas e sabores. A proposta inclui também raízes, como batatas e inhames.

Na Cúpula dos Povos, as banquinhas tinham produtores de diferentes regiões do país. Os membros da organização explicam que uma feira maior é organizada uma vez por ano para fornecer gratuitamente essas sementes crioulas aos pequenos produtores.

Cartão Postal
Publicado em 20/06/2012 às 08:00

O artista Vik Muniz, famoso por trabalhos com objetos corriqueiros que de longe formam uma imagem surpreendente, deixou o público da Cúpula do Povos encantado. Ele fez uma instalação com objetos recicláveis, como garrafas plásticas e papelão, e cada visitante pôde adicionar um “lixo” à obra. Vik Muniz fez exposições de destaque em diferentes países. No Brasil, ficou conhecido pela população em geral ao fazer a abertura da novela Passione, da Rede Globo.

Unespiana
Publicado em 19/06/2012 às 18:30


A farmacêutica formada pela Unesp Camile Caliri estava na Rio+20 à trabalho pela empresa L´oreal, na qual atua no setor de Pesquisa e Inovação. Ela estudou no Câmpus de Araraquara e ficou feliz em rever a ex-professora Vanderlan Bolzani.

Uma beleza de debate
Publicado em 19/06/2012 às 12:30

A farmacêutica Vanderlan Bolzani, professora da Unesp de Araraquara, apresentou um resumo de seus estudos atuais em uma apresentação organizada pela L´oreal, no Espaço dos Atletas, na Barra da Tijuca. Ela explicou para a plateia que suas pesquisas buscam princípios ativos em plantas do Cerrado e da Mata Atlântica. Mostrou em um mapa bem didático as ocorrências dos dois biomas no país, deixando claro que não se tratava de espécies amazônicas, a primeira coisa que com certeza veio à cabeça dos estrangeiros. Ela também trouxe dados sobre os remanescentes desses ecossistemas no Brasil e no Estado de São Paulo.

Vanderlan falou, ainda, do Biota-Fapesp, um projeto dedicado exclusivamente à conhecer e registrar todas espécies da biodiversidade paulista.

As pessoas se entreolhavam e sacudiam positivamente a cabeça, enquanto a professora falava de estudos feitos em parceria por empresas, a Unesp e outras universidades participantes do Biota. Trabalhos com a fabricante de cosméticos Natura, com a National Pharmaceutical e projetos sobre combate ao Mal de Alzheimer que estão em fase de patentamento impressionaram. Ela mencionou, inclusive, o desenvolvimento de uma molécula empregada numa fragrância da marca Christian Dior.

Outro palestrante, Daniel Sabará, apresentou sua empresa – Beraca – que faz uma ponte entre a indústria e as comunidades que detém o conhecimento tradicional usado por empresas farmacêuticas ou de cosméticos. Ele já realizou projetos que resultaram em produtos das marcas Kerastase, Garnier e The Body Shop.

E Sebasten Treyer, do Institut du développement durable et des relations internationales (IDDRI), falou dos avanços produzidos pelo Protocolo de Nagoya. O acordo de 2010 trouxe garantias aos países ricos em biodiversidade de divisão dos lucros obtidos com a exploração desses recursos. Ao mesmo tempo, deu às indústrias das nações desenvolvidas uma possibilidade concreta de poder pesquisar legalmente tais matérias-primas.

O clima era amistoso, mas com uma desconfiança saudável de todos os lados. A L´oreal quis saber de Daniel quais as garantias de que a parceria com uma comunidade não levaria a disputas judiciais com outras populações detentoras do mesmo conhecimento tradicional. Sebasten enfatizou que é necessário esclarecer alguns pontos do Protocolo, por exemplo, que as empresas sejam mais claras e efetivas quanto à divisão dos lucros e à transferências de tecnologia.

Daniel alertou para as empresas falsamente verdes, que praticam o “green wash” apenas para trabalhar a imagem institucional e ainda disparou que muitos exemplos podiam ser conferidos na Rio+20. E Vanderlan finalizou lembrando que as comunidades tradicionais não querem apenas extrair da floresta. “A Amazônia passou por muitos ciclos de extrativismo e isso não mudou a realidade das pessoas”, disse. “É necessário dar conhecimento a essas pessoas. Sem investimento efetivo em tecnologia e educação, não faz sentido nenhum toda essa discussão sobre economia verde.”

O desfile das nações
Publicado em 19/06/2012 às 10:00

Acabo de voltar do lado chic da Rio+20, as instalações do bairro da Barra da Tijuca. No Parque dos Atletas, alguns países criaram um “cantinho” para mostrar o que estão fazendo em prol da sustentabilidade e, claro, fazer aquela propaganda nacional.

O local é o mesmo onde é organizado o Rock in Rio e fica bem em frente ao Riocentro, onde as delegações debateram um acordo nos últimos dias e os chefes de Estado se reúnem a partir de amanhã (20/06). A palavra “longe” mora lá. O lugar é estrategicamente afastado da Cúpula dos Povos, só um pouquinho depois do reino Muito Muito Distante.

Como anfitrião, o Brasil acertadamente montou um espaço grande, mas simples. Até porque, como sede, o país também dedicou instalações adicionais para empresas públicas e órgãos federais. O ponto alto foram as paredes de samambaias e a distribuição de comidinhas – só o Brasil pensou em alimentar os visitantes, e parabéns para os Correios, que serviram um belíssimo buffet, com salada de frutas e tudo mais.

O Pavilhão do Brasil foi dedicado exclusivamente para palestras – teve apresentações o dia todo. O tom das conferências é que era um pouco burocrático, com membros do governo em todos os painéis.

Bom, o pessoal do Emirados Árabes fez bonito, como era de se esperar. Todo o glamour e sustentabilidade que o petróleo pode oferecer!

O Catar, por seu lado, também fez bonito. Lugarzinho pequeno, mas de design sofisticado. E muita, muita informação sobre as maravilhas do Catar. Agora, meio ambiente que é bom, nada.

O troféu Abacaxi de Ouro vai para os EUA, que fizeram a única tenda de portas fechadas. “Só para convidados”, dizia um letreiro antipático. Iiihhh!

Esperava mais da China, algo mais apoteótico. Aquele vermelho de sempre, aquela propaganda nacional vazia. Era um salão decorado repleto de telões. Um áudio repetia uma ladainha em inglês com forte sotaque, dizendo coisas do tipo “A China se preocupa muito com a biodiversidade”, “A China acredita que é possível aliar crescimento econômico e preservação do meio ambiente”.

A Alemanha quis inovar, fazendo uma instalação rústica, mas não deu certo. Ficou mais para o tosco mesmo. O pior é que lá dentro havia muito pouco conteúdo, um pouco da receita da China: vídeos, vídeos e vídeos.

E o Pavilhão da França ficou bem ao lado do alemão, um contraste danado. Os franceses, que adoram um debate, criaram um espaço não muito grande, mas bem organizado para discussões. Os encontros eram temáticos e reuniam sempre alguém de uma empresa francesa, gente de organizações internacionais e profissionais brasileiros. Só assuntos quentes. Um deles sobre conhecimento tradicional e produtos da biodiversidade teve a participação da professora da Unesp Vanderlan Bolzani. Mas isso é tema para outro post.

A Indonésia fez um espaço simpático, apresentando curiosidades sobre a sua biodiversidade. E a Suécia criou um lounge com cara de sorveteria.

Mas quem arrasou mesmo, aliás, como sempre, foi o Japão. A tenda nipônica parecia uma feira de negócios. Todas as grande empresas do país com algum investimento em tecnologias sustentáveis montaram um estande, com um ou dois profissionais capacitados para explicar tintin por tintin. Era um salão enorme e eficiente. E, ao fundo, um auditório com palestras disputadas. Bom, né?

E quase esquecendo da Inglaterra, que montou uma tenda cheia de telas interativas.

Mas a minha instalação preferida não é de nível nacional: é a da cidade do Rio de Janeiro, toda feita com paletes, com um belo painel na entrada, iluminação suave e samambaias nas paredes externas. Lá dentro, exposições e palestras.

Tendas da Rio + 20
Publicado em 19/06/2012 às 09:55

Alemanha

Emirados Árabes

China

Estados Unidos

França

Qatar

Japão

Rio de Janeiro

 

Uma verdadeira feira
Publicado em 19/06/2012 às 08:00

A Cúpula do Povos tem seus momentos “fórum social mundial”, tem seu quê de congresso científico, parece bienal de artes também, mas a primeira impressão mesmo é de feirinha de artesanato. Indígenas, quilombolas e outros povos tradicionais, rendeiras, bonequeiras e outros artesãos – todo mundo encontrou espaço para mostrar seu trabalho no convenientemente espaçoso Aterro do Flamengo.

O conjunto dos trabalhos é uma verdadeira cúpula dos povos. Tem objetos de barro, de couro e camisetas com estampas trazidos de países africanos; bijuterias de sementes da Amazônia, transados de palha de índios da Bolívia, tecelagem peruana, rendas do Nordeste brasileiro e até trabalhos de designer descoladinhos da rua Augusta, em São Paulo. Os preços também são bem internacionais.

Mas esse consumo, em vez de alienar o consumidor, parece fazer com que ele se sinta mais íntimo dessa cultura estranha. É que de tão íntimo que esses objetos são, tão artesanais, parecem trazer consigo uma identidade rica e forte que exige ser respeitada e conhecida. É um comprar que faz gostar, entender melhor o outro. Faz ver que outro é o mesmo. Moças da cidade e índios da floresta se enfeitando com as mesmas sementes.

Povos em ebulição
Publicado em 18/06/2012 às 11:00

Na chegada ao Rio na manhã desta segunda-feira (18), a cidade já estava tomada pela passeata que marcou o dia – mais de 5 mil mulheres partiram da Cúpula dos Povos rumo ao centro defendendo diferentes direitos femininos. Nem todas as reivindicações eram relacionados à pauta ambiental, mas todas miravam num mundo mais justo e melhor para mulheres e homens. Os jornalistas se empolgavam com o que viam. “Se eu pudesse, me enfiava no meio delas”, me confidenciou uma colega. Fazia 31º na cidade maravilhosa.

Agora, não tem nada mais “in” na Cúpula dos Povos do que índio. Tinha índio de tudo quanto era jeito: de calça jeans; com a camisa do Palmeiras; com saia de palha; de botas; de tennis all star; pintado de henna; tinha até homem branco vestido de índio. Só não havia índios pelados, para decepção de alguns estrangeiros. E os índios estavam por toda parte: tomando a pista do Aterro do Flamengo, ocupando ruas importantes do centro e até na sede do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento). Eles exigiram e conseguiram uma reunião com a presidência para falar dos impactos de obras financiadas pelo banco. Enfim, todo dia é dia de índio na Rio+20.

E quando os cariocas acharam que as manifestações já tinham se encerrado, um grupo quase todo formado por estudantes iniciou a “Marcha à ré”, também partindo da Cúpula dos Povos. Eles bradavam ao mar, ao sol, à brise e às montanhas do Rio de Janeiro todo o descontentamento com as mudanças nas leis ambientais do país propiciadas pelo novo Código Florestal. Eles reocuparam praticamente as mesmas vias que os índios tinham acabado de liberar.

Mas tudo indica que em termos de manifestação na Rio+20, ainda há muito mais por vir. O boato que corre é que a cidade pegará fogo mesmo na quarta-feira. Tanto, que a prefeitura determinou o fechamento das escolas nos dias 20, 21 e 22, os três últimos dias do evento e momento em que os chefes de Estado tomam parte nas discussões. Eles devem encontrar uma maravilha de cenário.

A simplicidade das inovações
Publicado em 18/06/2012 às 10:50

Você vai à academia e, enquanto pedala uma bicicleta ergométrica, gera energia para carregar o seu celular e manter o sistema de som ligado. A empresa Ecogreens aposta que isso deve se tornar realidade já nos próximos meses. O protótipo desenvolvido pelo grupo permite gerar energia suficiente para carregar toda a bateria de um celular comum com apenas seis minutos de pedaladas. Ou manter uma televisão de 42 polegadas ligada por uma hora após uma hora de exercícios na bike.

A proposta foi apresentada ao público numa parte da Cúpula dos Povos dedicada a soluções de sustentabilidade para pequenas e médias empresas. Além de um espaço para consultorias, os participantes da Cúpula puderam testar as invenções.

Um estande que chamou a atenção de todos cozinhava com o calor do sol. A ideia, que não chega a ser nova, surpreendeu pela execução: o fogão, embora grande, era desmontável, e parece se enquadrar direitinho nos apetrechos para acampamento; o forno, pequeno e bastante simples, pode ser copiado sem grande dificuldade. A proposta foi apresentada pelo Greenpeace. Eles fritaram um ovo, que não ficou com um aspecto lá muito bom. Já as maçãs assadas com nozes, valem a exposição ao sol!

Cúpula dos Povos
Publicado em 18/06/2012 às 09:00

O maior evento do dia na Cúpula dos Povos teve a presença da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e do senador Cristovam Buarque (ao fundo).

Integração
Publicado em 18/06/2012 às 08:50

Em boa hora!
Publicado em 18/06/2012 às 08:01

Em meio a maior crise econômica da história moderna da humanidade, a Rio+20 chegou em um momento complicado para negociações. Mas haveria momento realmente oportuno para dizer ao mundo que é necessário crescer menos e de um jeito diametralmente diferente do atual?

A ECO92 também foi realizada num momento não lá muito propício: a guerra da Bósnia tinha acabado de começar; a Europa tentava com o tratado de Maastricht resolver uma crise de taxas de câmbio e preparar terreno para a moeda única; EUA encaravam um recessão em meio a uma disputa presidencial que tiraria Bush-pai do poder; a América Latina definhava em crises econômicas; e o Brasil vivia as consequências do confisco da poupança e de outras medidas do Plano Collor. Mas quem participou daquela Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, diz que havia mais esperança do que há agora.

A razão do otimismo de outrora e do pessimismo atual pode ser a mesma: experiência. No primeiro caso, claro, a ausência dela. As pessoas nem sabiam direito que conceitos novos e repletos de bom-mocismo eram aqueles – desenvolvimento sustentável; repartição dos lucros da exploração da biodiversidade; ampliação de áreas de proteção permanente; garantir direitos às comunidades tradicionais; países ricos ajudando nações pobres a se desenvolver e preservar seus biomas – conceitos que causam boníssima impressão e que hoje, sabemos, são difíceis de praticar.

E por que é tão complicado? Porque “dinheiro não aguenta desaforo!”, já dizia uma tia minha. São todas propostas que implicam em custos, que enfrentam a lógica econômica, que insultam o sistema de produção atual. E nunca houve e nem haverá momento realmente adequado para tais ideias.

Agora, já que é para estragar o jantar, já que é para jogar à mesa aquelas verdades inconvenientes, melhor que seja diante do descontentamento geral das nações. Não há no mundo hoje nenhum país realmente em paz, seguro, satisfeito. E é bem mais fácil mexer em time que não está ganhando.

O grande desafio da Rio+20 pode não ser a conjuntura política e econômica do mundo, mas o alheamento do cidadão comum diante dos desafios que a humanidade precisa enfrentar agora para garantir seu futuro. E se as pessoas na sala de jantar estão ocupadas demais em nascer e morrer, a razão é a falta de educação ambiental, que, infelizmente, não é exclusividade brasileira.

Além dos educadores, a imprensa também tem enorme responsabilidade e um potencial privilegiado para formar essa massa crítica, um público que possa entender os problemas ambientais, analisar os riscos, exigir dos políticos as decisões corretas e, acima de tudo, reorientar o seu modo de vida. Ninguém luta pelo que não ama, e não se ama aquilo que não se conhece.

Quem fala, pode? E quem ouve, tem juízo?
Publicado em 18/06/2012 às 08:00

A ECO92 teve como um de seus marcos a participação da sociedade civil por meio das ONGs, no chamado Fórum Global. A Rio+20 foi além: mais do que ampliar a quantidade de ONGs em seu fórum específico, a agora intitulada Cúpula dos Povos, a ONU criou um espaço para que a população comum possa se manifestar independentemente das ONGs – o Diálogos, nos dias 16, 17 e 18.

A Cúpula dos Povos foi alocada no Aterro do Flamengo, na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, há mais de 40 km do Riocentro, na Barra da Tijuca, onde serão realizadas as atividades oficiais da Rio+20, com os representantes dos países discutindo desde o dia 13 de junho os termos de um acordo final. Já os “Diálogos” foram organizados na mesma região da Conferência principal.

Os Diálogos criaram também um espaço virtual de participação – a rede social Rio Dialogues, uma espécie de facebook da Rio+20. Nesse site, qualquer pessoa podia fazer propostas e votar em outras. As medidas foram dividas em grandes áreas, como água, oceanos, energias renováveis, etc.

Pelas regras do Diálogos, três sugestões – a decisão mais votada pela internet, a mais votada pelo público presente aos três dias do encontro e o parecer de um painel de especialistas – comporiam um documento oficial que seria encaminhado para apreciação dos chefes de Estado.

A localização e a natureza dos Diálogos parecem dizer o mesmo: “A ONU está dando todo o espaço possível para que as pessoas participem dos processos decisórios”. Será?

O ecologista David Lapola, professor da Unesp de Rio claro, acha que não. O pesquisador participou da plenária do Diálogos no sábado (16) e não esconde o gostinho amargo da experiência. “A ideia é muito boa, mas na prática, as pessoas estão muito despreparadas para o debate”, diz.

Em nossa conversa, o pesquisador falou da falta de organização do sistema de votação, que, entre outras coisas, só divulgou o resultado da internet após a votação da plenária, o que fez muita gente ‘queimar’ um voto numa proposta que havia sido escolhida.

Ele também destacou a irônica falta de diálogo entre o público presente e o painel de especialistas. “Apenas três pessoas conseguiram fazer perguntas ao painel: o vice-presidente do BNDES, João Carlos Ferraz; um ex-deputado, que, aliás, fez uma questão não-pertinente ao debate; e uma pessoa do Tribunal de Contas de Minas Gerais”, conta Lapola.

Outra crítica do professor foi a composição do painel, excessivamente orientada para a área econômica, fato que levou muitas ONGs a boicotarem o encontro. Um dos panelistas mais ativos foi Jeffrey Sachs, famoso economista norte-americano. Ele redigiu um documento que formou a sugestão do painel.

Acadêmicos, membros de ONGs pequenas, estudantes da rede básica, universitários – o público presente ao Diálogos era suficientemente diverso para causar a impressão de diversidade e inclusão. “Mas na prática, a participação das pessoas é muito passiva. Eu conversava com algumas e via que elas estavam achando o máximo apenas estar presente à plenária”, relata Lapola. “Era uma participação para cumprir um papel.”

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