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Daniel Patire é jornalista
e fotógrafo
da ACI Unesp
Entre os deveres e a música
Publicado em 14/08/2012 às 16:00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fuziko é filha do fundador Issamu Yuba. Desde os 7 anos de idade, ela cuida da granja. Com 14, assumiu a regência do coral da comunidade. Após a morte do pai (em 1975), ela se ocupa também de aquecer, todos os dias, a água do ofurô coletivo, usando a lenha que ela mesmo cortou. Suas tarefas englobam também cuidar e arrumar os quartos dos hópedes. Mas é nas poucas horas de folga, que Fuziko, sem tirar as botas, se entrega ao estudo das obras de Farué ou Mozart, no piano do refeitório.

 

A identidade de um povo
Publicado em 14/08/2012 às 15:25

Ao se chegar em Yuba, o visitante avista japoneses e descendentes. Ouve conversas e lê informativos pregados em painéis no refeitório todos na língua nipônica. Mas se o visitante se preparar antes da viagem, e fizer uma busca sobre a comunidade, ele terá quase a certeza de se tratar de um pedaço do Japão em terras tupiniquins.  Dança, teatro, culinária, até o jogo de beisebol, tudo nos leva a crer que estamos em terras orientais.

No entanto, um olhar mais atento perceberá que, junto ao arroz japonês, tem o feijão feito com a mais “pura” receita brasileira; ao lado dos hashis, os tradicionais pauzinhos japoneses, garfos e facas são usados nas refeições. “É muito difícil comer feijão com hashi”, disse Agnes Kanna Yuba.

Aos 30 anos de idade, Agnes é professora de japonês na escola estadual de Aliança, bairro de Mirandópolis. Ela estudou e viveu fora da comunidade, mas voltou depois de alguns poucos anos. A ex-bailarina principal não se acostumou no dia-a-dia competitivo da cidade, sentiu falta da vida comunitária. “Se eu não tivesse nascido em Yuba, eu seria uma pessoa totalmente diferente”, afirma. Para ela, o balé, a música, a agricultura, e a comunhão estão impregnados em sua personalidade.

“Não somos japoneses, nem brasileiros, temos uma cultura própria. Somos uma terceira cultura, somos de Yuba”, sentencia o senhor Masakatsu Yazaki.

“Aparentemente, a identidade do grupo parece ser única, sem conflitos, em que o ideal comunitário e sua prática diária se refletem na própria forma de ser de cada habitante”, analisa o estudante Cauê Flor. “No entanto, percebemos contradições entre o discurso oficial dos mais antigos e o bate-papo dos mais jovens, que estão plugados nas redes sociais, na televisão à cabo.” As diferentes identidades dos grupos etários presentes em Yuba são os objetos de estudo de Cauê, que cursa o 5º ano de Ciências Sociais, da FFC. Além das analises de entrevistas feitas com os moradores, ele buscou referenciais em textos clássicos.  

O envelhecer
Publicado em 14/08/2012 às 11:35

Aos 75 anos, Yuko Naganawa corta os cogumelos shiimeji para preparar conservas que serão vendidos em um evento da imigração japonesa em São Paulo. Um pouco arqueada, ela também retira as louças das mesas do café da manhã, do almoço ou da janta e as coloca na pia para outras mulheres lavarem.

Ela se lamenta por não poder contribuir mais com o trabalho na comunidade. Nascida na 2ª Aliança, hoje um bairro de Mirandópolis vizinho de Yuba, mudou-se ainda pequena para a fazenda. Aos 4 anos de idade, perdeu a mãe. E ela tenta ainda retribuir todo o carinho que sentiu daqueles que a acolheram nesse momento difícil.

Com um pouco mais de idade, Yuko cuidava das galinhas e ajudava ainda na colheita das frutas e verduras. Ela conta com saudade daquele tempo. Hoje, sua obrigação é cuidar de seu pai, que aos 108 anos, é o mais velho entre os yubenses.

E apesar de não poder mais auxiliar na lavoura, a senhora de cabelos brancos sob um boné, diz não se sentir mais velha que os outros. “A convivência com as crianças, jovens, e com todos aqueles que amamos, não nos deixa ter diferentes idades. Aqui, somos todos iguais”, diz.

Segundo Camila, aluna do 5º ano do curso de Ciências Sociais, o tema do envelhecimento reflete aspectos culturais, políticos, sociais e econômicos relativos aos valores de um grupo. Com esse enfoque, ela focou seu projeto no estudo comparativo dos valores que envolvem o envelhecimento na comunidade de Yuba com grupos da terceira idade na Universidade Aberta para Terceira Idade (Unati), do câmpus de Marília.

Seu objetivo é perceber as possíveis diferenças no que se refere ao tratamento das pessoas idosas identificando distintas concepções sociais e culturais assumidas nos grupos citados. Além de contribuir teórica e metodologicamente para as pesquisas na área de Antropologia corroborando com subsídios para a construção de Políticas Públicas voltadas aos idosos, tanto na área rural quanto urbana.

Música
Publicado em 06/08/2012 às 09:05

A execução de peças clássicas de Beethoven (1770 - 1827), Chopin (1810 - 1849), ou algumas de Jazz se espalham pela comunidade nas horas de folga dos adultos. A comunidade também foi considerada um Ponto de Cultura, pelo Ministério da Cultura brasileiro, e desde 2009, oferece aulas de música para crianças de Mirandópolis. Elas podem aprender, piano, violino, viola, violoncelo.

Balé
Publicado em 06/08/2012 às 08:55

Mulheres de Yuba, de diferente idades, fazem alongamento para a aula de balé. O Balé Yuba, comandado pela bailarina Akiko Ohara, faz apresentações no teatro da fazenda e em diversos festivais do país, como também no Japão e no Paraguai. As aulas acontecem duas vezes por semana, às segundas e quartas-feiras depois do jantar. Mas, em vésperas de espetáculo, o grupo intensifica os treinamentos e ensaios das coreografias.

Jardim de esculturas
Publicado em 06/08/2012 às 08:50

O Jardim Hisao Ohara homenageia o artista plástico e ator japonês, que viveu por 28 anos na comunidade. Em Yuba, ele esculpiu em granito e mármore, orientou as crianças na arte de desenho e pintura. E foi no teatro sua maiior contribuição, desenvolvendo a arte de encenar, trabalhando a iluminação, a cenografia e a própria atuação dos atores-agricultores. 

Arte em Yuba
Publicado em 06/08/2012 às 08:45

Jardim Hisao Ohara, criado em 2001 com obras do escultor e ator Hisao Ohara (1932 - 1989)

Para seu projeto de pesquisa, Beth Cavalcanti observou e experimentou as diferentes linguagens artísticas praticadas pelos moradores de Yuba. Balé, música, artes plásticas e teatro estão presentes no cotidiano e na própria essência da comunidade. “Como disse o maestro Masakatsu Yazahi, sem ela a comunidade não existiria por todo este tempo”, diz Beth.

A arte, segundo observou a estudante, é o pilar principal dos três que formam a ideologia dos yubenses, completados pelo trabalho e pela fé. Assim, é ela, a arte, que estimula a imaginação necessária para as primeiras pinceladas em um papel em branco; bem como a um agricultor que olha a terra virgem e precisa imaginar a plantação. E o fruto da imaginação e do trabalho é a comida servida todos os dias no refeitório, que precisa ser agradecida em um ritual de silêncio, onde todos, independente da religião, podem demonstrar sua gratidão.

“Como comunidade, Yuba tem a arte como vínculo entre seus habitantes, pois, dizem não poder fazê-la sozinho. Assim, encenam uma peça de teatro apresentada no final do ano. Nela, cada integrante tem o seu papel, e isso possibilita que haja momentos de interação entre todos os habitantes. Dessa forma, as relações são renovadas”, explica.

Beth é licenciada em Letras e aluna especial da disciplina de Antropologia, da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), câmpus de Marília.

Conversas antropológicas
Publicado em 03/08/2012 às 19:15

Estudantes se reúnem à noite para trocarem experiências e buscarem referênciais teóricos para a elaboração de seus projetos.  

A prática antropológica
Publicado em 02/08/2012 às 15:00

Para não perder o horário do café da manhã em Yuba, Beth, Camila, Cauê, James, Patty, Willians, e a professora Christina já estavam no refeitório às 6h30 da manhã.  Servindo-se em uma mesa farta, com pães, geléias, ovos cozidos, leite, café, arroz e tantas outras comidas. Eles sentam-se espalhados nas grandes mesas de madeira e entre os yubenses. A idéia de se misturar e poder conversar com diferentes pessoas da comunidade foi do senhor Masakatsu Yazaki, 68 anos. “É importante vocês conhecerem todas as diferentes histórias”, explica.

Yazaki vive na comunidade desde 1963, quando chegou do Japão. É maestro da orquestra Yuba, ensina as crianças suas primeiras notas no piano, conserta galochas e sapatos usados na roça, e ainda é responsável pela preservação da memória da fazenda, catalogando fotografias, documentos e registrando a história oral da criação da comunidade. Ele também é o professor de japonês para as crianças.

Após comer, as moças se encaminham para a cozinha para ajudar a lavar a louça, e preparar o almoço, lavando a salada, cortando legumes, cogumelos, e selecionando frutas para o suco. Já os rapazes, calçam as galochas e vão ajudar em algumas tarefas na lavoura, colhendo frutas, carregando sacos com a produção da fazenda.

Christina também coloca as galochas brancas, uma capa de chuva e acompanha as mulheres na colheita da goiaba, um dos principais produtos comercializados pela comunidade com os mercados da região. E nesse trabalho, o grupo da Unesp fica até a hora do almoço, quando um berrante soa e todos se reunem no grande salão, que serve de cozinha, refeitório, sala de televisão, e local para as reuniões dos moradores.

No período da tarde, os estudantes se entregam a leitura de textos clássicos da Antropologia, fazem entrevistas e coletam dados sobre economia, educação, cultura e a rotina de Yuba. E, após o jantar, eles se reúnem para trocar experiências, informações e questionamentos, que vão ajudá-los nos temas de estudo que cada um definiu antes de chegar na comunidade.

James e Beth auxiliam na cozinha após café da manhã

Alunos ajudam no preparo das refeições. Eles lavam produtos colhidos nas lavouras da fazenda Yuba

Pedagogia dinâmica

Essa rotina foi seguida pelo grupo durante toda a semana na fazenda. “Praticamos, dessa forma, uma educação dinâmica, onde diferentes conceitos teóricos são relacionados para explicar aquela realidade”, falou a professora. A atividade é uma proposta de prática pedagógica para auxiliar os alunos da disciplina de Antropologia do curso de Ciências Sociais, da FFC, a desenvolverem projetos de pesquisa de campo.

“A Antropologia é uma ciência também prática. Mas nos cursos de graduação, os alunos são submetidos a uma alta carga teórica, sem espaço para um trabalho de campo. E a forma de vida dessa comunidade é muito diferente da nossa. Por isso, é muito importante a vivência a elaboração de uma pesquisa de campo”, relatou Christina.

Como conclusão da atividade, cada um dos seis estudantes deve apresentar um projeto de pesquisa, como se fosse apresentar para um órgão de fomento, de acordo com a professora.

Nos seguintes posts, apresento cada um dos projetos.

Christina, de blusa verde, conversa com estudantes no refeitório de Yuba

Trabalho coletivo
Publicado em 01/08/2012 às 17:30

Estudantes da Unesp, turistas e yubenses fazem a escolha e preparam o hibisco para se fazer a geléia, que poderá ser consumida por todos a qualquer hora. Os potes de geléia fica sobre a mesa do refeitório para quem quiser comer. O hibisco é uma flor colhida  na horta da própria comunidade, e é utilizado para auxiliar no tratamento da hipertensão e redutor de colesterol. 

Apresentação
Publicado em 01/08/2012 às 08:50

Imigrantes japoneses e seus descendentes vivem um sonho de uma comunidade igualitária, onde o respeito ao outro e ao grupo é expresso no amor as artes, na prática da agricultura, e em um sentimento religioso de gratidão, demonstrado todos os dias. Para vivenciar e compreender como é a organização social da Comunidade de Yuba, seis estudantes da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), Campus de Marília, acompanhados da professora Christina de Rezende Rubim, trabalharam, comeram e dançaram com eles por uma semana, de 18 e 22 de junho.

Yuba está localizada em uma fazenda de 110 hectares, na área rural da cidade paulista de Mirandópolis. Ente os habitantes da propriedade, a língua oficial é o japonês, considerada por eles mesmos o elo principal para a continuação e transmissão da cultura da comunidade.

Para contar sobre a vida de algumas pessoas desse sonho e também do encontro com os acadêmicos, acompanhei o grupo da Unesp nos dias 20 e 21. E vocês, leitores, podem experimentar um pouco dessas histórias por meio de textos e fotos publicados no Jornal Unesp, nesse blog e no artigo da professora Christina, que pode ser lido no Debate Acadêmico do Portal Unesp.

E que a realidade dos yubenses, como são chamados os moradores da fazenda, possa inspirar cada um de vocês.

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